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| Fonte: Arquivo pessoal da cantora Claudia. |
Cheguei em São Paulo cheia de esperanças de uma família
humilde que precisava de mim e em mim depositava toda a credibilidade
concernente ao talento latente e obvio que jorrava.
Iniciei minha carreira no programa 'O fino da bossa
considerado na época um dos melhores no gênero.
Infelizmente incompatibilizaram-me com a cantora Elis Regina
numa trama bem urdida.
Eu era sozinha, sem ninguém que apostasse no meu talento,
sem um bom empresário que me mostrasse o caminho, somente com um grande
talento que incomodou muito.
A idéia de se fazer um show com o título "QUEM TEM MEDO
DE ELIS REGINA" partiu do jornalista e compositor
Ronaldo Boscoli que tinha como parceiro o comediante Mieli e
que eu imediatamente recusei fazer com esse
título, a não ser que mudassem.Muitas pessoas me perguntam
até hoje se esse show aconteceu e não sabem
que não aconteceu com esse nome e sim com "CLAUDYA NÃO
SE APRENDE NA ESCOLA".
Fui muito prejudicada, todas as portas foram fechadas e eu
tive que fazer um exílio forçado.
Fui questionada ao vivo pela própria Elis no programa, e
mesmo expressando meu descontentamento explicando o que havia acontecido que eu havia me recusado a fazer o espetáculo
com esse nome, no dia seguinte em letras garrafais a mídia anunciava:
Claudya aproveitadora, Claudya imitadora da Elis, Claudya
brigou com Elis e etc.
Recentemente a jornalista Regina Echeverria escreveu uma
grande mentira em seu livro furacão Elis dizendo que eu empurrei a cantora no
poço da orquestra.
Esta senhora não me pediu sequer autorização para colocar
meu nome no livro e sequer me entrevistou para saber da veracidade dos fatos.
Eu tinha muito medo de falar alguma coisa na época pois em
não falando nada me acusaram de coisas que eu jamais fiz e também porque tinha
muita gente envolvida nessa trama.Pessoas que estavam doentes na época
que já faleceram que não estão mais aqui para se defenderem.
Que poder eu teria? Uma menina de 17 anos vinda de uma
cidade do interior,contra a grande e maior cantora do Brasil, que tinha um
império a seus pés, que tinha a televisão Record, que comandava o maior
programa da televisão brasileira.
Foi lamentável, foi triste muito triste mesmo, porque eu era
apenas uma menina que queria vencer, que queria galgar,que queria saltar os
muros que queria cantar, cantar prá viver viver a cantar.
E sinto que até hoje sou tolhida desse sentimento divino do
poder de doar cantando a tantas pessoas que precisam do meu cantar.
Claudia, 22 de Fevereio de 2010.
