terça-feira, 14 de julho de 2015

Agenda de Shows: 23 de Julho de 2015, no Palácio da Justiça em São Paulo

No próximo dia 23 (23/07/2015), a cantora Claudya se apresenta no Salão do Júri do Palácio da Justiça, em show comemorativo aos seus 50 anos de carreira. A exibição, gratuita, integra o projeto Arte e Cultura no TJ. Compareça:


domingo, 12 de julho de 2015

Festival de Atenas na Grécia

 
Claudia, na IX Olimpíada Internacional da Canção, 12 julho de 1971.

Em 12 de julho de 1971 a música "Minha voz virá da América do Sul", de Marcos Valle e Paulo Sérgio Valle, ganha na Grécia a IX Olimpíada Internacional da Canção, interpretada pela cantora Claudia. A legenda da foto diz “Η Claudia καθώς ερμηνεύει το τραγούδι τού Marcos Valle (A Claudia interpreta a canção de Marcos Valle). E eis o que diz a matéria na imprensa grega no dia seguinte: “ Το πρώτο βραβείο της 4ης Ολυμπιάδος κατέκτησε η Βραζιλιάνα Claudia, με το τραγούδι των Marcos Valle και Paulo Sérgio Valle “Minha voz virá do sol da América” (οι τρεις μοιράστηκαν περί τις 140 χιλιάδες δραχμές, με τ’ αδέλφια Valle να παίρνουν από 60 καφετιά ο καθείς, ήτοι 2000 ντόλαρς – όχι κι άσχημα). Δεύτερο ήταν το “We must forget” με την Samantha Jones” (O primeiro prêmio da 4ª Olimpíada foi ganho pela brasileira Claudia, com a música de Marcos Valle e Paulo Sérgio Valle "Minha voz Virá do sol da América" (os três dividiram o prêmio de cerca de 140.000 dracmas, sendo que os irmãos Valle levaram 60 notas cada, ou seja, 2.000 dólares – o que não é muito ruim). Em segundo lugar ficou o "Devemos esquecer" por Samantha Jones).

Texto de Luis Avelima, 11 de Julho de 2015.

quarta-feira, 10 de junho de 2015

Biografia diz que Elis Regina perseguia cantoras como Alaíde Costa e Nana Caymmi de maneira implacável

O que há de mais importante na biografia “Elis Regina — Nada Será Como Antes” (Master Books, 423 páginas), do jornalista Julio Maria, é o modo como mostra, a partir de análises feitas por músicos ou por meio de seus próprios comentários, como Elis Regina era uma cantora diferenciada, possivelmente a maior do Brasil (o biógrafo Ruy Castro é o único que considera Carmen Miranda a maior cantora do país). O músico e compositor Edu Lobo, ao vê-la cantar pela primeira vez, “gelou com algo que só os músicos percebiam. Elis tinha um senso harmônico de instrumentista. Sabia quais acordes ficariam melhores, com ou sem acidentes, invertidos ou não, e cobrava seus músicos para que os encontrassem na forma em que sua intuição pedia. ‘Esse não está bom, é quase isso’, dizia aos pianistas”. 

O “timbre e” a “percepção de conjunto” de Elis Regina foram notados rapidamente pelos músicos. A cantora era, com sua voz possante, uma verdadeira instrumentista. O pianista Adylson Godoy, o Dico, impressionou-se, desde o início, com sua “percepção harmônica instintiva”.

Amilton Godoy, pianista de formação erudita do Zimbo Trio, ficou mesmerizado com a percepção musical de Elis Regina. “Ela cantou uma linha melódica em sete por quatro, um tempo quebrado demais para a cabeça de alguém que nem partitura sabia ler. Amilton sacou que aquela cabeça não funcionava como a de um ‘canário’. (…) Elis, o quarto instrumentista do grupo, tinha uma interação premonitória com o piano, o baixo e a bateria de Rubinho, com quem se entendia até nas frases mais tortas”.

O maestro Chiquinho de Moraes impressionou-se ao ouvir a cantora. “Chico sentia estar ao lado de uma cantora com poderes sobrenaturais assim que recebeu Elis em seus primeiros ensaios. As músicas nunca eram passadas duas vezes. Quanto faltava tempo, nem ensaio havia. Elis preferia que seus convidados usassem os minutos que antecediam o programa para treinarem com orquestra. Ela se garantiria ao vivo”, conta Julio Maria.

Músicos às vezes tentavam ludibriar Elis Regina, com o objetivo de verificar se tinha condições técnicas de perceber o logro. A cantora percebia e entrava na onda. Musicalmente, era como Ella Fitzgerald, que tinha um excelente ouvido para conectar-se à técnica-arte dos músicos.
Julio Maria conta que, como vários artistas do primeiro time da música, Elis Regina era extremamente competitiva. Embora consciente de seu enorme talento, e de sua superioridade vocal, fazia o impossível para colocar as outras cantoras, famosas ou não, em seus “devidos lugares”. Alaíde Csota, Nana Caymmi, Maricenne Costa, Claudette Soares e Nara Leão sofreram com a crueldade de Elis Regina.

Ao cantar no programa “Fino da Bossa” (depois, só “Fino”), Alaíde Costa, cantora consagrada, começou a ouvir a plateia gritar: “Elis! Elis!” Não se provou, mas parecia orquestrado por Elis Regina.

Grávida, Alaíde Costa passou mal e, levada a um hospital, o médico recomendou repouso. A cantora rejeitou a orientação e seguiu para a TV Excelsior, onde cantaria “Morrer de Amor”. Ao encontrá-la, Elis Regina disse: “Acabei saindo ontem antes de o seu show terminar. E aí? Eles continuaram chamando meu nome?” Tensa, Alaíde Costa passou mal e perdeu o bebê.

Claudette Soares, celebrada em meados da década de 1960, cantava no “Fino da Bossa”. O diretor do programa, Manoel “Maneco” Carlos (mais tarde, novelista da TV Globo), reuniu a cantora e Elis Regina para discutir o que cantariam. Claudette Soares alfinetou: “Maneco, será que a Elis não pode cantar uma música minha?” Irritada, Elis Regina disse: “Claro que eu canto”. A rival atacou com um FAL: “Mas meu tom é mais baixo do que o seu. Será que o tom original vai dar pra você?” Elis Regina sacou a metralhadora: “Eu canto em qualquer tom, meubem. Qual você quer?”. As duas cantaram “Eu Só Queria Ser” — e muito bem, segundo Julio Maria.

Maricenne Costa, embora respeitada pelos músicos da bossa nova, não agradava Elis Regina. Convocada para cantar na Record, ouviu Elis Regina “falando alto com Maneco: ‘Até cantora da noite agora vem fazer o ‘Fino’?” Maricenne Costa contra-atacou: “Cantora da noite brasileira e paulista que vai cantar nos Estados Unidos”. Não houve reação.

Convidada para cantar no “Fino”, Nana Caymmi, grávida de quatro meses, deixou a Bahia e dirigiu-se ao estúdio da Record. Lá, percebeu que Elis Regina conversava discretamente com o empresário Marcos Lázaro. Este disse que a filha de Dorival Caymmi não cantaria mais, pois o “o programa” estava “completo”. Tudo indica que havia sido vetada por Elis Regina.

A próxima encrenca foi com Maysa. “Fiquei sabendo que você me imita. Imita minha voz que eu quero ver”, desafiou a cantora. Elis Regina não se fez de rogada: “Maysa ouviu a imitação e saiu sorrindo”. Depois, o tempo fechou. Maysa chegou a denunciar que havia sido dopada pela rival para não cantar no Festival Internacional da Canção.

Na boate 706, Maysa e Elis Regina trocaram farpas. A primeira torpedeou: “Sua gauchinha de merda”. A segunda devolveu balas explosivas: “Cala a boca, sua pinguça”. Maysa tentou jogar um garrafa em Elis Regina, mas Roberto Menescal a segurou.

A voz da mineira Claudia (Maria das Graças) “era algo de entarrecer”. Maysa e Elizeth Cardoso pararam um ensaio para ouvi-la. Porém, Ronaldo Bôscoli e Miele decidiram organizar um show para Claudia com o título de “Quem Tem Medo de Elis Regina?” A cantora não quis e o nome foi modificado para “Claudia Não se Aprende na Escola”.

Porém, quando compareceu para cantar no “Fino”, foi tratada com crueldade por Elis Regina logo na apresentação. “Agora, eu quero apresentar a vocês uma menina que começou a carreira aqui no meu programa. O nome dela é Maria das Graças e ela quer agora fazer um show no Rio de Janeiro chamado ‘Quem Tem Medo de Elis Regina?’” A plateia vaiou Claudia “por cinco minutos”.

Esvaziada pelas críticas duras de Elis Regina, Claudia passou fome no Rio de Janeiro. “Quando a fome chegava, tomava água e ia à praia secar-se no sol para distrair o estômago”, anota Julio Maria.
No “Fino da Bossa”, Elis Regina e Jair Rodrigues fizeram uma parceria musical de sucesso. Apesar das encrencas habituais, a cantora gostava dele. Mas, “um dia, Elis entrou na sala de Maneco com uma solicitação delicada: queria que Jair Rodrigues fosse demitido”. Maneco não o despediu e ficou por isso mesmo; a cantora nem cobrou mais o afastamento do colega. Ela era temperamental.

Julio Maria escreve que a cantora defendia os amigos com coragem e, apesar do mau humor — que variava rapidamente para bom humor —, era apreciada pelos músicos.

As histórias diminuem Elis Regina como cantora? De maneira alguma. Mas reduz sua imagem meio angelical que a morte (overdose de cocaína), aos 36 anos, e, sobretudo, o enorme talento lhe conferem. Elis Regina persiste como a maior cantora brasileira de todos os tempos. Como pessoa, era contraditória — como todos nós.

A biografia foi lida por dois filhos de Elis Regina — a cantora Maria Rita não quis ler antes do lançamento —, mas não é, como se viu acima, uma hagiografia. Elis fica maior do que já é, mas suas contradições são apontadas — com o contexto apropriado — sem dourar a pílula.

João Gilberto é ameaçado e o veto de Tom Jobim

Há histórias muito boas, como a do dia em que Tom Jobim vetou Elis Regina, optando por Dulce Nunes, mulher de um amigo, o maestro Bené Nunes. Convidado para cantar no “Fino da Bossa”, João Gilberto “não queria sair do camarim”. Um segurança mostrou-lhe uma arma e ameaçou: “Vai descer ou não vai?” O artista mais ranheta do país cantou.

No prefácio, um dos mais importantes críticos de música do país, Zuza Homem de Mello, sugere que se trata da “biografia definitiva”. Não é. Pelo simples motivo de que não há biografia definitiva de nenhuma personalidade.

O que se deve dizer é que, depois de duas biografias consistentes, “Furacão Elis”, de Regina Echeverria, e “Elis Regina — Nada Será Como Antes”, estão lançadas as bases para novas biografias e estudos, por exemplo explorando de maneira mais detida a agudeza e especificidade de seu canto — e, de fato, Julio Maria supera Regina Echeverria na discussão da cantora sem si — e mesmo certas penumbras de sua vida.

O que se pode sublinhar é que se trata mesmo de uma biografia de excelente qualidade. Agora, para ilustrá-lo, é equivocado insinuar que a biografia escrita por Regina Echeverria é “ruim”. Não é. Mas, escrita em 1985, três anos depois da morte da cantora — quer dizer, praticamente em cima da hora —, deixou lacunas. Porém, ao mesmo tempo, lançou as bases para a biografia de Julio Maria, publicada 30 anos depois.

Texto de Euler de França Belém, Jornal Opção
Fonte: http://www.jornalopcao.com.br/colunas-e-blogs/imprensa/biografia-diz-que-elis-regina-perseguia-cantoras-como-alaide-costa-e-nana-caymmi-de-maneira-implacavel-31817/

segunda-feira, 6 de abril de 2015

Agenda de Shows: 25 de Abril no Teatro João Caetano (São Paulo)

No dia 25 de Abril, esta grande cantora irá se apresentar num show histórico, com músicas de 3 grandes discos ontológicos da Odeon. Uma apresentação imperdível!

Entrevista: O poder do talento e do temperamento de Claudya

“E é o meu canto o fruto dessa espera.
Canto como quem risca a pedra. Te celebro
Na mais alta metamorfose da minha época.
Não cantarei em vão.” Hilda Hilst 


Claudya agora assina o nome com “Y” e apesar do detalhe e da mudança no lugar do “I”, muitos ainda a reconhecem ao menor assobio. Dona de uma das belas e singulares vozes da música popular brasileira, a cantora contabiliza 19 títulos na discografia, sendo que o mais recente álbum foi lançado em 2011, “Senhor do Tempo – Canções Raras de Caetano Veloso”, parceria da gravadora Joia Moderna com a Tratore. “É sempre relevante gravar Caetano, pelo que representa como autor, e para a música popular”. A entrevistada afiança que a ideia partiu do produtor Thiago Marques Luiz e do DJ Zé Pedro. Por hora os que quiserem conferir mais novidades de Claudya terão que ir a seus shows. “Não pretendo gravar por enquanto. Tenho inúmeras músicas autorais, inéditas, mas estou esperando o momento certo”, adianta.
E o momento, para tristeza dos fãs da cantora, não parece estar próximo. Claudya esclarece seus pontos. “Infelizmente a música brasileira está nivelada por baixo. Não temos mais as grandes referências que tínhamos no passado. Vivemos outros tempos”, lamenta e endossa discurso proferido, há poucas semanas, pela também cantora Mônica Salmaso, rebatida pelo mais recente homenageado de Claudya, Caetano Veloso, que diz celebrar “a invasão do litoral pelo sertanejo, baile funk e axé music”, sendo o último seu “favorito”. Mas Claudya apresenta os seus argumentos. “Tempos esses em que se valoriza o descartável, o abominável, o banal, bem diferente dos nossos tempos de ouro em que o artista e a música eram sagrados, em que era preciso ter talento e conteúdo”, sublinha. Para ela, as épocas são diferentes e antagonizam.

MUDANÇAS
“Vivíamos uma época de decisão, mudanças. Infelizmente a mídia não abre suas portas para os grandes talentos brasileiros. Estamos sem memória e sem os grandes artistas que valorizavam a nossa história musical. Muito triste para o país que teve a melhor música do mundo, e que foi considerado um dos mais importantes junto com a música americana”, completa. Apesar de se ressentir do espaço dedicado a ela e vários colegas na mídia de grande massa, Claudya não para. Recentemente apresentou-se em Belo Horizonte através do projeto “Salve, Rainhas!”, idealizado por Pedrinho Madeira, e conta com uma agenda regular de shows onde mora, em São Paulo. Natural do Rio de Janeiro, a intérprete teve passagem importante por Minas Gerais. Estudou em Juiz de Fora, no colégio São José, e foi descoberta num programa de calouros da Rádio Sociedade local, aos 9 anos de idade.
Pouco mais tarde, aos 13, foi crooner do conjunto “Meia-Noite” e animou festas e bailes da cidade. “Decidi que seria cantora quando em uma reunião na casa de um tio no Rio de Janeiro, cantei “Maringá”, de Joubert de Carvalho, e fui muito aplaudida. O aplauso me impulsionou a ingressar na carreira artística”, orgulha-se. Aplausos que se avolumaram quando Claudya migrou para a cidade que a abriga até hoje, e consolidou-se, na década de 1960, junto à cena local da bossa nova e da MPB que surgia. Um dos primeiros sucessos em escala nacional foi “Razão de Paz para não Cantar”, de Eduardo Lages e Alésio de Barros, música com a qual venceu, em 1969, o I Festival Fluminense da Canção. Daí expandiu sua voz poderosa para o mundo, excursionando por festivais no Japão, Grécia, México, Venezuela, e alguns outros.


ENCONTROS
Maria das Graças de Oliveira Rallo foi uma das primeiras a dar voz às composições de um uruguaio de sobrenome Chalar da Silva. Dito desta maneira fica difícil identificar que Claudya descobriu Taiguara. “Conheci o poeta Taiguara nos anos 1960 quando iniciava a minha carreira em São Paulo, na casa de outro grande compositor, Adylson Godoy, que nos apresentou. Fiquei encantada com a obra desse brilhante músico, arranjador, poeta e compositor”, afirma sem poupar elogios. Apesar do encantamento imediato Claudya só conseguiu registrar uma composição de Taiguara “na década de 1970, na gravadora Odeon, quando compôs a belíssima ‘Memória Livre de Leila Diniz’”, em homenagem à atriz falecida num acidente de avião em 1972. Os dois chegaram a cantar a composição juntos, em 1989, na TV Manchete.
Claudya ainda homenagearia Taiguara em 1996, ano do falecimento do compositor, vítima de um câncer na bexiga aos 50 anos. “Nos anos 1990 tive a ideia de gravar um CD só com obras dele, pela antiga RGE, hoje Som livre. É um dos mais belos trabalhos da minha carreira”, afirma ao referir-se ao álbum intitulado simplesmente como “Claudia canta Taiguara”. E não precisa mais. Outro encontro importante na trajetória de Claudya se deu com os irmãos Paulo Sérgio e Marcos Valle, autores daquele que talvez seja o maior sucesso da cantora, “Com Mais De 30”. “Os irmãos Valle têm uma participação fundamental na minha carreira, porque me deram uma música inédita pra gravar, que fez um grande sucesso e é lembrada até hoje pelo pessoal da mais nova geração, sendo muito moderna e conseguindo atravessar o tempo”, diz.

TEMPO
Outras músicas atravessaram o tempo pela voz de Claudya, sempre através de encontros importantes. O Rei Roberto Carlos também tem o nome lembrado como participação decisiva na carreira da entrevistada. “Quando gravei ‘Jesus Cristo’, Roberto já estava fazendo sucesso com a música. Na verdade eu a regravei e obtive muito sucesso também, mas não se trata de uma criação minha”, pontua. Mas foi uma criação de Marcelo D2 que trouxe a voz de Claudya de volta para os holofotes em 2008, ao ‘samplear’ trecho da canção “Deixa eu Dizer”, composição de Ivan Lins e Ronaldo Monteiro de Souza que deu nome ao álbum lançado pela cantora em 1973, na gravação da música “Desabafo”. Com evidente teor de protesto a junção das duas músicas provou que algumas posturas resistem ao tempo muito bem. Claudya não desiste fácil.
Ela abre o leque de influências na música e apresenta “Dalva de Oliveira e Ângela Maria no início de carreira, depois Maysa e as divas do jazz, como Dolores Duran, Sarah Vaughan e Ella Fitzgerald. A cantora Barbra Streisand me ensinou tudo sobre cantar bem”, garante. Estende-se para as artes plásticas com “Picasso, no cinema Fellini, na literatura Thomas Man e no teatro Millôr Fernandes”. Por muito pouco essa rica carreira artística não foi interrompida por um episódio sinistro na vida da cantora. Ela esclarece uma das maiores polêmicas da carreira, com a emblemática e lendária Elis Regina, em quem, dizem, chegou a causar insegurança pela força de sua voz. “Essa é uma grande polêmica e que foi fomentada por Ronaldo Bôscoli, marido de Elis, em um momento muito delicado da minha carreira, um momento, diria, crucial”.

POLÊMICA
Além de marido de Elis Regina, Ronaldo Bôscoli, que namorou outras divas da música brasileira como Nara Leão e Maysa, era também produtor, jornalista, autor de letras, e agitador cultural do meio artístico brasileiro. Não foram poucas nem pequenas as histórias de confusões e desentendimentos envolvendo a sua figura enquanto esteve vivo e ativo. Por outro lado, Bôscoli, que morreu em 1994, vítima de câncer de próstata aos 66 anos, é coautor de grandes sucessos da bossa nova, como “O Barquinho”, com Roberto Menescal, “Lobo Bobo”, com Carlos Lyra, e ainda o sambalanço “Tributo a Martin Luther King”, com Wilson Simonal, entre outros. “Estava apenas iniciando a minha trajetória quando fui envolvida em uma trama em que me colocaram como vilã de uma história da qual eu fui vítima”, desabafa Claudya.
Na época, Bôscoli propôs para Claudya um espetáculo intitulado “Quem Tem Medo de Elis Regina?”, justamente para fomentar a rivalidade. À negativa da intérprete em participar da ação, já era tarde, pois a intriga chegara aos ouvidos da “Pimentinha” que, com seu conhecido temperamento passional, não perdoou o mal entendido. “Fui muito prejudicada com tudo isso e praticamente banida do meio artístico. Só consegui permanecer pelo grande talento que tenho e por ser muito teimosa”, ratifica Claudya com palavras que apenas servem de endossamento a carreira coroada por notas musicais e versos ditos em poesia. A propósito de polêmicas, Claudya não tem medo de expor suas opiniões, e dá o pitaco no “episódio das biografias”. “Acho que as biografias podem sim ser escritas sem a aprovação dos artistas”, vaticina.

DEMOCRACIA
Claudya amarra bem os motivos que a levam à declaração anterior. “Somos patrimônio da humanidade e estamos no exercício da democracia. Claro que permitiria uma biografia a meu respeito. É o que deve acontecer num futuro próximo”, celebra a cantora e os fãs. Inclusive ela já interpretou um desses “patrimônios da humanidade”, no caso a atriz e líder política argentina Eva Perón, amada pelos argentinos e chamada por Evita. Em 1983 Claudya estrelou nos palcos um dos mais grandiosos momentos de carreira recheada de conquista e êxitos. “Fui convidada pelo diretor Maurício Sherman pra fazer a ópera rock ‘Evita’, mediante um teste que aconteceu sob o olhar do famoso produtor de musicais, Victor Berbara, que havia comprado os direitos do espetáculo”, relembra. A escolha não foi difícil.
“Segundo Victor, depois de me ouvir ele não teve dúvidas quanto à protagonista de Evita no Brasil”, diz envaidecida Claudya, que ainda guarda ótimas lembranças do espetáculo. “Evita é um espetáculo emocionante, denso, em preto e branco. A música de Tim Rice e Loyd Weber é simplesmente maravilhosa e muito difícil de ser cantada, daí a grande dificuldade que tiveram na época para escolherem a cantora que faria o espetáculo. Alguns nomes do teatro e da música fizeram o teste, mas não foram aprovados. Coube a mim fazê-lo e ser apontada como a melhor Evita do mundo pelos produtores ingleses Robert Stigwood e David Land”, avisa Claudya, sem esconder-se atrás de modéstias que não combinam com seu temperamento, talento e voz.

DISCOGRAFIA
1967 – Claudia
1971 – Claudia
1971 – Jesus Cristo
1971 – Você, Claudia, Você
1973 – Deixa Eu Dizer
1977 – Reza, Tambor e Raça
1979 – Pássaro Imigrante
1980 – Claudia
1983 – Evita
1985 – Luz da Vida
1986 – Sentimentos
1989 – Claudia
1992 – A Estranha Dama
1994 – Leão de Judá
1994 – Entre Amigos (com Zimbo Trio)
1996 – Claudia Canta Taiguara
1997 – Brasil Real
2005 – Horizons: A Lua Luará
2011 – Senhor do Tempo: Canções Raras de Caetano Veloso

Raphael Vidigal
Fonte: http://www.esquinamusical.com.br/entrevista-o-poder-do-talento-e-do-temperamento-de-claudya/







domingo, 15 de fevereiro de 2015

Álbum: Claudia, Elza Soares, Pery Ribeiro, Nadinho da Ilha, Claudette Soares e Miltinho - 1974 - Paulistana: Retrato de Uma Cidade (Billy Blanco)

Neste extraordinário registro histórico da comemoração de 400 anos de São Paulo,  que foi esquecido no tempo, Claudia canta duas canções do compositor/cantor/instrumentista/arquiteto Billy Blanco. A primeira interpretação está contida na segunda faixa do LP, a música que conta a vida de uma grande índia que viveu na cidade, "Bartira". A outra faixa em que Claudia participa nesse memorável disco é a 10ª, na qual também canta Pery Ribeiro e um Coro, "O Tempo e a Hora". Além dos grandes músicos já citados, Elza soares, Nadinho da Ilha, Claudette Soares e Miltinho, também participaram desse majestoso disco.

 


A "PAULISTANA", uma sinfonia popular que canta S. Paulo de Anchieta à rua Augusta e magnificamente orquestrada pelo maestro Chico Morais, foi composta por Billy Blanco para uma paulista quatrocentista chamada Ruth Egydio de Souza Aranha y Blanco Trindade - sua mulher.


01 – Louvação de Anchieta (Billy Blanco) – Billy Blanco / Pery Ribeiro
02 – Bartira (Billy Blanco) – Billy Blanco / Cláudia
03 – Monções (Billy Blanco) – Billy Blanco / Pery Ribeiro
04 – Tema de São Paulo (Billy Blanco) – Billy Blanco / Coro
05 – Capital do Tempo (Billy Blanco) – Billy Blanco / Elza Soares
06 – O Dinheiro (Billy Blanco) – Billy Blanco / Nadinho da Ilha
07 – Coisas da Noite (Billy Blanco) – Billy Blanco / Pery Ribeiro
08 – O Céu de São Paulo (Billy Blanco) – Billy Blanco / Claudette Soares
09 – Amanhecendo (Billy Blanco) – Billy Blanco / Coro
10 – O Tempo e a Hora (Billy Blanco) – Billy Blanco / Coro / Pery Ribeiro / Cláudia
11 – Viva o Camelô (Billy Blanco) – Billy Blanco / Miltinho
12 – Pro Esporte (Billy Blanco) – Billy Blanco / Elza Soares
13 – São Paulo Jovem (Billy Blanco) – Billy Blanco / Pery Ribeiro
14 – Rua Augusta (Billy Blanco) – Billy Blanco / Coro
15 – Grande São Paulo (Billy Blanco) – Billy Blanco / Coro / Pery Ribeiro

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terça-feira, 23 de dezembro de 2014

Claudia, 22 de Dezenbro de 2014


Pensando em como éramos jovens inquietos, cheios de alegria, de idéias, varávamos a noite compondo para um disco que seria um sucesso muitos anos depois. Eu já tinha a idéia na cabeça e só faltava desenvolve-la. Conheci o parceiro ideal, dono de um possante volkswagen, portando apenas um violão acústico. Perfeito. Êsse parceiro criativo dava um acorde e eu ia fazendo as melodias. Elas já nasciam prontas. Letra e música e assim íamos construindo um disco histórico, que seria um dos melhores de nossas carreiras. Êle nem desconfiava desse sucesso incrível. Vivia brincando e contando piada e eu ria muito, me divertia muito com êle, que tocava como músico em uma orquestra de televisão. Ensaiávamos em minha casa com os músicos antes de entrarmos no estudio, o que facilitou bastante as gravações. O filho nasceu. Alguns gostaram muito dele e alguns juravam que êle não vingaria, mas êle vingou e se tornou um dos mais bonitos filhos que tivemos. Hoje êsse filho nos dá grandes alegrias. É um sucesso nas pistas do Brasil e do resto do mundo. Êle é o "Pássaro emigrante" que voou prá terras distantes e uma canção entoou, de saudade voltou e era tudo que queria voltar ao ponto de partida.

Claudia, 22 de Dezembro de 2014.